Ao menos 47 pessoas morreram e outras 22 ficaram feridas apĂłs um ataque de uma gangue armada em Kenscoff, comunidade localizada nas montanhas nos arredores de Porto PrĂncipe, capital do Haiti.
Segundo as NaçÔes Unidas, 22 das vĂtimas foram executadas dentro de uma igreja onde haviam buscado refĂșgio durante a ofensiva.
O nĂșmero total de mortos ainda pode aumentar Ă medida que as autoridades obtĂȘm novas informaçÔes sobre o massacre.
Em entrevista Ă AFP, um agricultor afirmou que os moradores nĂŁo aguentam mais a violĂȘncia e pediu proteção ao governo central. âPerdi oito membros da minha famĂliaâ, lamentou.
O ataque começou por volta das 22h30 de domingo (23) e avançou pela madrugada de segunda-feira (24), segundo autoridades locais.
O prefeito de Kenscoff, Jean Massillon, atribuiu a ação Ă coalizĂŁo de gangues Viv Ansanm, um dos grupos criminosos que atuam no paĂs.
âOntem Ă noite foi uma noite de terror que atingiu a comuna de Kenscoffâ, declarou o prefeito Ă rĂĄdio Magic 9, conforme relatado pelo The Haitian Times.
Além das mortes, sobreviventes relataram casas incendiadas e sequestros. Mais de 50 pessoas teriam sido levadas pelos criminosos, segundo informaçÔes divulgadas posteriormente.
Igreja incendiada
A violĂȘncia tambĂ©m atingiu locais de culto. A agĂȘncia Fides informou que entre os prĂ©dios incendiados estava um templo pertencente Ă Igreja EvangĂ©lica da Arca da Nova Aliança, localizado prĂłximo ao cemitĂ©rio municipal, no centro de Kenscoff.
Dezenas de residĂȘncias tambĂ©m foram incendiadas durante a ofensiva. Animais, incluindo cavalos, foram mortos pelos criminosos.
Testemunhas disseram ainda que homens armados fizeram refĂ©ns antes de deixar determinadas ĂĄreas da cidade. Diante da violĂȘncia, famĂlias fugiram de Kenscoff em busca de segurança.
O ataque foi um dos mais graves registrados recentemente na região, que jå vinha sofrendo com o avanço das gangues desde 2025.
Kenscoff ocupa uma posição estratĂ©gica nas montanhas que cercam Porto PrĂncipe e tem sido alvo de sucessivas ofensivas de grupos armados.
Reforço na segurança
ApĂłs o massacre, o governo haitiano informou que enviou reforços para apoiar a polĂcia local e colocou as forças de segurança em alerta mĂĄximo.
âAs ordens sĂŁo claras: proteger, garantir a segurança e intervir. A autoridade do governo serĂĄ restaurada â com firmeza e sem demora â em todo o territĂłrio de Kenscoffâ, afirmou o governo em comunicado.
O secretårio-geral da ONU, António Guterres, também condenou o ataque e pediu que os responsåveis sejam levados à Justiça.
Segundo ele, os ataques contĂnuos das gangues contra comunidades e as mortes demonstram a grave situação de segurança no Haiti e reforçam a necessidade de ampliar os esforços nacionais e internacionais para combater os grupos criminosos.
Escalada da violĂȘncia
O massacre acontece em meio ao agravamento da crise de segurança no Haiti.
Dados do Escritório Integrado das NaçÔes Unidas no Haiti (BINUH) mostram que 1.408 pessoas morreram e 656 ficaram feridas entre abril e junho de 2026.
Os ataques de gangues foram responsĂĄveis por 55% das mortes e ferimentos registrados no perĂodo.
âEsses nĂșmeros mostram que a população continua pagando um preço inaceitĂĄvel pela violĂȘnciaâ, afirmou Carlos Ruiz Massieu, representante especial do secretĂĄrio-geral da ONU no Haiti e chefe do BINUH.
Segundo a ONU, confrontos entre grupos rivais por territĂłrio e fontes ilegais de renda tambĂ©m provocaram o deslocamento de mais de 18 mil pessoas em algumas regiĂ”es da capital, deixando moradores sem acesso adequado a serviços como saĂșde e educação.
A violĂȘncia das gangues jĂĄ deslocou cerca de 1,5 milhĂŁo de pessoas em todo o Haiti, enquanto grupos armados controlam aproximadamente 70% de Porto PrĂncipe.



